Tuesday, May 30, 2006

POR UM MEIO-FIO

Um simples meio-fio da esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, seria um cruzamento de ruas como qualquer outro, se não fossem os meninos que o freqüentavam. Foi a partir dessa esquina que os sons, o talento e a criatividade dos integrantes do Clube da Esquina alcançaram os cinco continentes.


Foto: Marisa Lyon

Muito jovens, Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Tavinho Moura, entre outros (mais tarde chegaram Beto Guedes e Flávio Venturini), se juntaram a Márcio Borges, Ronaldo Bastos e Fernando Brant.

Em 1963, Milton Nascimento chega à capital mineira egresso de Três Pontas, onde integrava a banda W's Boys com o pianista Wagner Tiso. Foi morar numa pensão no Edifício Levy, onde viviam os irmãos Borges. Márcio, tornou-se o letrista das primeiras composições de Milton. Lô, o irmão menor, estudava harmonia com o guitarrista Toninho Horta e, junto com Beto Guedes, escutava e aprendia com os LPs dos Beatles. Surgia o embrião do Clube da Esquina. Cantor da noite, Milton seguia como compositor e aglutinador da turma. Pouco depois, os encontros musicais entre Milton e os Borges na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis foram transformados na canção "Clube da Esquina" por Milton, Lô e Márcio.

O movimento se viu pela primeira vez em disco em 1972, quando Milton e Lô lançaram o primeiro disco Clube da Esquina. O LP revelou a química digerida pelos jovens compositores mineiros: bossa nova, Beatles, toadas, congadas, choro, jazz, folias-de-reis e rock progressivo, materializadas em composições como "Tudo o que você poderia ser" (Lô e Márcio), "O trem azul" (Lô e Ronaldo Bastos), "Nada será como antes" e "Cais" (ambas de Milton e Ronaldo). Logo após o lançamento, cada um dos integrantes seguiu seu caminho, lançando seus próprios álbuns.
Em torno do eixo erguido pelos Borges e Milton, chegaram Flávio Venturini, Vermelho e Tavinho Moura. Juntamente com Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta, eles se apresentavam em shows chamados Fio da Navalha. Seis anos mais tarde, Milton lançou o duplo Clube da Esquina 2, que reuniu sua velha turma e alguns novos integrantes. No repertório, canções como "Nascente" (Flávio Venturini e Murilo Antunes), "Maria, Maria" (Milton e F. Brant), "Tanto" (B. Guedes e R. Bastos), "Pão e água" (Lô, Márcio Borges e Roger Motta), "Olho d'água" (Paulo Jobim e R. Bastos) e "Mistérios" (Joyce e Maurício Maestro), "Meu menino" (Danilo Caymmi e Ana Terra) e "Toshiro" (Novelli).

Em 1996, Márcio Borges publicou “Os sonhos não envelhecem” - Histórias do Clube da Esquina.
Seis anos depois, Vânia Bastos - cantora nascida em Ourinhos que cresceu ouvindo a música do Clube - gravou o CD Vânia Bastos canta Clube da Esquina. E os também mineiros do Skank hastearam as influências que sofreram do Clube com o CD Cosmotron, que trouxe como faixa-trabalho a música “Dois rios”, de Samuel Rosa, Nando Reis e Lô Borges. Pop e cultura, o Clube da Esquina é o marco zero do primeiro movimento musical brasileiro de importância pós-Tropicália.

A criação do Museu Clube da Esquina, em Belo Horizonte, revela a história do movimento musical Clube da Esquina por pesquisa documental e iconográfica, constituição de acervo, registro de depoimentos, além da digitalização de gravações musicais e documentos. O acervo recolhido será transformado em material de pesquisa inédito, tornando-se referência no estudo da cultura popular e valorizando a identidade da música brasileira e seus artistas, produtores culturais, fãs, etc.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

I really enjoyed looking at your site, I found it very helpful indeed, keep up the good work.
»

1:45 PM, June 11, 2006  
Anonymous Anonymous said...

Super color scheme, I like it! Keep up the good work. Thanks for sharing this wonderful site with us.
»

7:19 AM, July 21, 2006  
Anonymous Anonymous said...

I find some information here.

3:49 AM, July 23, 2006  

Post a Comment

<< Home